quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

quase

Andava entrelaçando os pés, meio bêbado, meio palhaço. Andava com a cabeça baixa, com gestos simples, os olhos atentos, o coração espalhado nas mãs para trás.
Andava em qualquer direção, quase perdido, um pouco acuado, um pouco sorrindo.
Me olhou assim, meio de canto, meio trôpego, meio tímido.
Eu meio que quase fui. E fiquei.
Era meu o coração esparramado que ele carregava nas mãos.

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

espelho


As palavras caíam como um sono.

Minhas mãos, presas, enlaçadas pelo que deveria ser um toque, não podiam se expressar.

Acorrentei-me nua à sua boca e as palavras caíam como um sono.

Quando meus pulsos ardem, ainda faço força, mas não me solto.

Inerte, e fingida.

Calada , amiga.

Amada, prendida, querida, deixada, molhada,

pregada.

Cortada. Sangrando um véu de lágrimas, apertada.

Encarada, suada e sangrando.

Molhando.

Caindo, como um sono, quase um sonho.

Acorrentada nua, à sua espera. Solta. Sangra.


terça-feira, 17 de novembro de 2009

deixa

Era como uma mão de criança, que afaga sem saber exatamente o tamanho de força que deve colocar, e, às vezes, em vez de acarinhar, puxa o cabelo.
Era um sentimento assim, de que deu errado por não saber o tamanho da força, e, no carinho, arrancou todos os cabelos.
Ataduras, até mesmo gesso. E implante.
Deixa a mão tocar as vidas apenas depois das almas se tocarem, ou trocarem. Deixa a criança crescer antes de deixá-la afagar e amar.

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

.

Seu corpo se sustentava em um apoio cansado. Seu vestido estava sujo.
Nenhuma descrição bastava. Seus olhos caíam, cansados.
Sombras e sonhos, e um pouco de vida.
Acha que abriu a porta errada, vida que vai embora.
Acha que fechou a porta errada...
Seus olhos caíam, cansados.

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

passa

Parou.
Como se tudo à sua volta fosse um tempo só. Ou como se o próprio tempo parasse.
Parecia uma folga nesse tempo doido (ou um tempo nessa folga toda).
Escutou o tirilintar de seu coração (ele estava ali, o tempo inteiro, vejam só!)
Acenou para a nuvem que passava e beijou o vento. Abraçou o seu tempo.
Parou.
Encantou- se, cantou-se o tempo.
Passou...

terça-feira, 27 de outubro de 2009

assim

Desculpa, me perdi um pouco no meu próprio caminho torto.
Perdoa meu jeito intenso, meu sorriso imenso. Perdoa por eu achar que isso basta.
Aquece aquele chá, coloca pra secar a roupa que está guardada há tanto tempo.
Perdoa meu jeito torto, no caminho certo, meu jeito imenso, meu sorriso torto, por eu achar isso tão intenso.
Nem diga sim, só põe pra aquecer a roupa, o chá pra secar, não se guarde por tanto tempo.
Desculpa, me diz que perdoa meu próprio imenso.
Intenso...

domingo, 25 de outubro de 2009

Nhac...

"Guardo pra te dar
as cartas que eu não mando
Conto por contar
E deixo em algum canto"